Programa Internacional de Avaliação Comparada (PISA)
O físico alemão Andreas Schleicher, 45 anos, responsável por um dos mais respeitados indicadores educacionais do planeta, o Programa Internacional de Avaliação Comparada (Pisa). Esse programa é desenvolvido e coordenado internacionalmente pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), havendo em cada país participante uma coordenação nacional. No Brasil, o PISA é coordenado pelo Inep – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais “Anísio Teixeira”.
Há oito anos, ele acompanha uma prova aplicada a estudantes de 15 anos de países desenvolvidos, em uma iniciativa da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Para Schleicher, o Brasil poderia ter “metas muito mais audaciosas de ensino”.
O Programa Internacional de Avaliação de Alunos pretende avaliar até que ponto os alunos próximos do término da educação obrigatória adquiriram conhecimentos e habilidades essenciais para a participação efetiva na sociedade. Pretende responder a questões como:
Até que ponto os jovens adultos estão preparados para enfrentar os desafios do futuro? Eles são capazes de analisar, raciocinar e comunicar suas idéias efetivamente? Têm capacidade para continuar aprendendo pela vida toda? Visando medir o desempenho dos alunos além do currículo escolar, enfocando competências necessárias à vida moderna.
As avaliações do PISA incluem cadernos de prova e questionários e acontecem a cada três anos, com ênfases distintas em três áreas: Leitura, Matemática e Ciências. Em cada edição, o foco recai principalmente sobre uma dessas áreas. Em 2000, o foco era na Leitura: em 2003, a área principal foi a Matemática; em 2006, a avaliação teve ênfase em Ciências e neste ano enfatiza a leitura. A prova da edição 2009 do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) foi aplicada no Brasil entre os dias 25 e 29 de maio. Realizaram a prova cerca de 50 mil alunos, de 990 escolas públicas e privadas, das áreas rurais e urbanas de 587 municípios, em todos os estados do País, além do Distrito Federal. Os resultados finais da avaliação serão divulgados pela OCDE em dezembro de 2010. A partir de junho deste ano será feita pelo Inep a codificação (correção) da prova. No Brasil, serão divulgados também os resultados para cada unidade da Federação.
A amostra do PISA é definida com base no Censo Escolar. O Inep define os estratos para a amostra e a seleção é feita pelo Consórcio Internacional que administra o PISA. A escolha dos alunos é realizada por meio eletrônico, de forma aleatória, sendo sorteados 25 alunos de cada uma das escolas selecionadas para participar da avaliação. Nas duas primeiras edições do PISA a amostra brasileira permitiu identificar apenas resultados por região, embora fosse desejável obter resultados por estado, possibilitando estudos comparativos com alguns resultados do SAEB.
Um exemplo do que se quer verificar é se o aluno consegue entender a matemática e a sabe usar como ferramenta para entender o mundo, resolver problemas, pensar de forma criativa e imaginativa. Se ele pode usar o conhecimento para ir além, em novas situações. O Pisa não testa se o aluno consegue replicar o que aprendeu na aula. A competência é que é avaliada.
No Brasil, existe muita ênfase em reprodução de conteúdo. Os alunos têm uma imensa quantidade de conhecimento, mas não se dá a eles as ferramentas de como aplicar esses conhecimentos de forma prática. As coisas fáceis de ensinar não tornarão o cidadão competitivo. O Brasil poderia ter metas muito mais audaciosas. Precisa mudar o foco do conteúdo para competência. Também há expectativas diferentes em escolas pobres, há tolerância e baixo padrão de exigência. Isso é um grande equívoco e vai reforçar as disparidades sociais.
Visto que No ranking, os brasileiros estão na lanterna. Ocupam a 53ª posição em matemática (entre 57 países) e a 48ª em leitura (entre 56).
O Brasil investe 5% do PIB na educação, em termos absolutos, pode ser pouco, mas relacionado ao PIB está na média dos países da OCDE, que é de 5,5%. Os sistemas de ensino mais caros não são necessariamente os melhores. A Coreia do Sul era muito mais pobre que o Brasil na década de 60. Tinha pouquíssimo dinheiro para gastar com educação, mas investiu de forma muito inteligente e produtiva. Agora, seu sistema de ensino tem uma das melhores performances do mundo. Em duas gerações, eles subiram todas as posições.
No Brasil, a carreira de professor não é atrativa, sobretudo pelos salários oferecidos, mas vários países a enfrentam, isto não é algo exclusivo apenas do Brasil, não tem a ver com salários, mas com o ambiente. Para atrair jovens brilhantes, é preciso oferecer oportunidade de carreira, recompensar a boa performance. Pessoas brilhantes querem criar algo, e se você não der a elas essa oportunidade, elas ficam desmotivadas e vão para outra área e os professores tendem a ensinar como foram ensinados e não como foram ensinados a ensinar. Se você é médico, todos os dias buscará novas pesquisas, novos tratamentos, novos métodos. Na educação, não existe essa prática. Às vezes, o professor está sozinho na sala, com problemas gigantescos e sem nenhum suporte. Não há tradição de gerenciamento de conhecimento no sistema de ensino. Isso acontece em outros setores, como a medicina, mas não no ensino.
Assim o PISA A cada três anos, como um instrumento de um novo conjunto de análises e resultados fornecerá informações sobre como as características dos alunos estão mudando, comparando a direção e o ritmo das mudanças em diferentes países.
O Pisa fechou um ciclo, o que fortalece os dados obtidos, permitindo comparações e análise, visto que a cada ano este enfoca uma das áreas já citadas neste artigo; voltando este ano de 2009 a enfatizou a leitura. Desta forma, os gestores de políticas públicas serão capazes de situar os processos de desenvolvimento local, no contexto das mudanças globais e educacionais, para enfrentar os desafios do novo século.
Referência
Informações atualizadas regularmente sobre o PISA podem ser encontradas em www.pisa.oecd.org.
victormsantanna em 






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